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Caso Kleber: réu é condenado a 21 anos e 9 meses pela morte do tenente

Elen Costa
da redação

Por 4 votos a 3, o Conselho de Sentença decidiu que Joaquim Pereira da Silva, major da reserva da Polícia Militar (PM), atualmente com 63 anos, é culpado pela morte do tenente da mesma instituição, Kleber dos Santos Santana, assassinado aos 42 anos, no dia 24 de fevereiro de 2022.

“Xamã”, como é conhecido o réu, foi condenado a 21 anos e 9 meses de prisão, em regime, inicialmente, fechado, sem direito a recorrer da decisão em liberdade. Ele também terá que pagar uma multa no valor de r$ 80 mil, por danos morais para a viúva da vítima.

A sessão de julgamento teve início na manhã desta segunda-feira, 23, após um ano e sete meses do fato. O resultado e leitura da sentença aconteceu nas primeiras horas da madrugada desta terça-feira, 24.

O júri foi formado por quatro homens e três mulheres. Sete testemunhas arroladas pela acusação e defesa foram ouvidas.

O primeiro a falar foi o concunhado de Kleber, Jhonis Araújo, que também é militar. Foi ele quem tirou o filho do tenente, de apenas 4 anos de idade, e a esposa da vítima do local do crime.

Jhonis revelou que chegou a fazer curso de selva com Joaquim Pereira e que este sempre demonstrou desequilíbrio e descontrole.

A segunda testemunha foi um senhor de 62 anos, Manoel Braga, que declarou ser amigo do major há 43 anos. O idioso disse que, coincidentemente, passava pelo local e ouviu os disparos, depois avistou Xamã atrás do carro, com a arma em punho.

Braga chegou a afirmar durante sua oitiva na delegacia, que viu Kleber apontar a pistola para o acusado. Entretanto, durante seu depoimento em juízo, voltou atrás e negou sua declaração.

O soldado da Polícia Militar, Hagapeto Martins, foi o terceiro a falar. O policial contou que ficou entre os carros do major e da vítima, e que ao descer, ouviu Joaquim Pereira falar: “era vagabundo, apontou a arma pra mim e eu não esperei”.

O PM disse, também, que orientou Xamã a ficar no local até a chegada das guarnições, mas que assim que o mesmo viu o menino ser retirado do carro, deixou a cena do crime.

Nadson Almeida, foi a quarta pessoa a ser ouvida. A testemunha relatou que foi ela quem retirou a criança de dentro do veículo de Kleber. O menor, segundo Nadson, chorava bastante e estava agarrado, puxando o braço do pai.

“Ele dizia a todo momento, papai não conseguiu, papai não conseguiu”, disse a testemunha.

A quinta a prestar informações foi Jamille Mira, esposa do tenente Kleber. Bastante emocionada, ela relembrou os último momentos que antecederam a tragédia.

“Ele [Kleber] saiu de casa na frente porque eu me atrasei, mas não demorou muito eu saí atrás e naquele ponto ouvi os tiros, mas nunca imaginei que fosse com ele. Quando me aproximei e vi o carro, meu mundo desabou. Me entregaram o Paulo Arthur e ele gritava ‘mamãe, papai não sobreviveu”, relembrou a viúva, que também é policial militar.

Jamille e o filho continuam tendo acompanhamento psicológico. Ela revelou que foi aluna de Joaquim Pereira durante uma instrução e garantiu que o major sempre agil de maneira hostil.

A penúltima testemunha foi Moisés Palheta que alegou ter visto Kleber ainda com vida, agonizando dentro do carro. O homem contou que ouviu Joaquim Pereira falar que o tenente havia puxado a arma pra ele, por isso, atirou.

O delegado Luiz Carlos Júnior, que presidiu o Inquérito Policial (IP), finalizou o roll de testemunhas. A autoridade policial falou que a conclusão das investigações apontaram para uma legítima defesa do acusado.

A fala mais esperada da sessão, era a do major. Orientado por seus advogados, ele respondeu a todas as perguntas, exceto as da acusação.

Joaquim Pereira confessou ter efetuado os quatro disparos e disse que atirou porque teve medo, mas que está arrependido de sua ação.

“Eu já sou um sobrevivente, tenho uma bala alojada na minha cabeça há 23 anos. Então, eu tive pânico. Ninguém viu nada, foi algo muito rápido. Foi uma ação e uma reação, uma escolha do Kleber e minha. Quando me falaram que tinha uma criança no carro, eu me desmontei. Eu me arrependo, jamais planejei tirar a vida de ninguém. Foi uma fatalidade. Nunca quis estar sentando nesse banco. Peço perdão aos familiares do Kleber, mas, não se ameaça ninguém com uma arma. Puxou a arma, tem que usar”, ponderou o réu que foi condenado.

Advogados de defesa

O caso

Kleber Santana foi morto no dia 24 de fevereiro de 2022, no cruzamento da Rua Odilardo Silva com a Avenida Cora de Carvalho, no Centro da Capital.
O militar assassinado estava com o filho no banco de trás do carro, quando foi atingido com os disparos efetuados pelo major da reserva, Pereira da Silva.
Após os tiros, Xamã teria fugido do local do crime, se apresentando às autoridades policiais no dia seguinte.

De acordo com a denúncia ofertada pelo Ministério Público do Amapá, a autoria do homicídio foi comprovada pelos diversos depoimentos de testemunhas oculares  do  fato, imagens de câmeras de segurança,  registros feitos pelos celulares de  populares, bem como a confissão do  denunciado e demais elementos informativos colhidos no bojo do procedimento.

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