Quem fica com o MDB no Amapá ?


Artigo – Jean Alex Nunes

Com a proximidade das eleições de 2026, as definições partidárias começam a se afunilar. A lógica dos deputados federais é garantir uma boa nominata, capaz de assegurar um voo tranquilo para o retorno a Brasília a partir de 2027, quando terá início a nova legislatura.

Foi essa lógica que levou o deputado Vinicius Gurgel (PL) a optar por compor a base de apoio de Antônio Furlan em uma eventual disputa ao Governo do Estado em 2026. Além de espaços e cargos em secretarias, Gurgel recebeu de Furlan a garantia de uma nominata forte para o próximo pleito. Entenda-se por nominata forte um conjunto de nove candidatos com viabilidade eleitoral mínima, cujos votos somados sejam suficientes para alcançar o temido quociente eleitoral.

A mesma lógica se aplica ao deputado federal Acácio Favacho, presidente do MDB no Amapá, mas com sinal trocado. Favacho tenta, há alguns meses, viabilizar sua candidatura ao Senado com apoio de Furlan, seu atual aliado. Vale lembrar que o prefeito de Macapá é filiado ao MDB e disputou a eleição de 2024 pela legenda. No entanto, ao que tudo indica, o caminho de Acácio ao Senado está obstruído, já que Furlan dá fortes sinais de que pretende lançar sua esposa Rayssa Furlan e apoiar a reeleição de Lucas Barreto (PSD).

Diante desse cenário, recalculando sua rota política, Favacho deve desembarcar “de mala e cuia” no grupo político do senador Davi Alcolumbre. A ideia é garantir sua reeleição à Câmara Federal e vislumbrar uma possível candidatura à Prefeitura de Macapá em 2028. Nos bastidores, já é dada como certa a entrada de Acácio na base de apoio do governo. Mesmo mantendo indicações na Prefeitura de Macapá, o grupo Favacho já teria indicado nomes para compor o staff governamental.

No último final de semana, observou-se um movimento nas redes sociais de militantes digitais ligados a Furlan atacando uma eventual “traição” de Acácio. Alguns afirmam que Furlan não deixará o MDB, pois conta com o apoio de nomes influentes na legenda, como José Sarney e Helder Barbalho. No entanto, é importante lembrar que Acácio é o presidente estadual do partido e também possui excelente trânsito na cúpula nacional, especialmente com Baleia Rossi.

A eventual saída de Furlan do MDB pode provocar um movimento de “nacionalização” da disputa ao Governo do Amapá. Com poucas opções partidárias, Furlan teria de optar pelo PL ou pelo PSD, ambos aliados de Jair Bolsonaro. Por sua vez, o governador Clécio Luís contaria com o apoio de diversos partidos da base lulista, entre eles PT, PSB, MDB e o União Brasil de Davi Alcolumbre.

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