CPI do Crime Organizado vai investigar políticos e o “andar superior”, afirma presidente da comissão

A recém-instalada Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado no Senado Federal deve ampliar o alcance de suas investigações para além das facções criminosas. O presidente da comissão, senador Fabiano Contarato (PT-ES), afirmou que a CPI também pretende “mirar políticos e o andar superior”, indicando que a apuração buscará identificar eventuais vínculos entre organizações criminosas e agentes públicos.

A comissão foi oficialmente criada no dia 4 de novembro de 2025, com o objetivo de investigar a estrutura, o financiamento e a infiltração do crime organizado em instituições do Estado. Segundo Contarato, o colegiado não pode se restringir aos executores operacionais das facções, mas deve compreender toda a rede que sustenta essas organizações.

O plano de trabalho, apresentado pelo relator senador Alessandro Vieira (MDB-SE), prevê a convocação de autoridades federais e estaduais, incluindo ministros da Justiça e da Defesa, diretores da Polícia Federal, governadores e secretários de segurança pública de estados com maior incidência de crimes ligados a facções.

De acordo com Contarato, a intenção é que a CPI contribua para um diagnóstico nacional do problema, com base em dados concretos e depoimentos de autoridades envolvidas na área da segurança. “Não podemos permitir que essa CPI seja palco político. Nosso foco é enfrentar o crime organizado com seriedade e resultados”, declarou o senador.

A investigação terá duração inicial de 120 dias, podendo ser prorrogada. O relatório final deverá apresentar medidas de combate às redes criminosas e propostas de políticas públicas voltadas à segurança e à integridade das instituições.

A criação da CPI ocorre em um contexto de aumento das ações de facções em diversos estados e do avanço de investigações que apontam possíveis conexões entre o crime e setores do poder público. A expectativa é que os trabalhos do colegiado tragam novas revelações sobre o funcionamento dessas redes e seus elos com esferas de decisão política.

Fonte: Folha de São Paulo

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