Polícia apreende R$ 2 milhões ligados a esquema de lavagem de dinheiro do tráfico no Amapá

Operação Testa de Ferro também bloqueou cerca de R$ 3 milhões em contas bancárias; dinheiro chegava de Santarém escondido em caixas que simulavam transporte de peças de motocicletas

Uma operação da Polícia Civil do Amapá atingiu as finanças de uma organização criminosa investigada por lavagem de dinheiro proveniente do tráfico de drogas. Cerca de R$ 2,05 milhões em dinheiro vivo foram apreendidos durante a Operação Testa de Ferro, realizada em Macapá.

Além do dinheiro encontrado em espécie, a Justiça determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 3 milhões em contas bancárias, elevando para cerca de R$ 5 milhões o volume de recursos atingidos pela operação. Duas pessoas foram presas em flagrante.

A ação foi conduzida pela Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), com participação de forças especializadas de segurança. Segundo as investigações, o esquema está relacionado a uma facção criminosa originária do Rio de Janeiro e com atuação no Amapá.

Dinheiro vinha de Santarém

Um dos detalhes que mais chamou a atenção dos investigadores foi a forma utilizada para transportar os valores.

Segundo o delegado Estéfano Santos, titular da Draco, parte do dinheiro chegava de Santarém, no Pará, por meio de embarcações.

Os criminosos teriam desenvolvido uma estratégia para dificultar a identificação da carga. As cédulas eram colocadas dentro de caixas identificadas como embalagens de peças e acessórios para motocicletas e cobertas com capas de chuva usadas por motociclistas.

A intenção, segundo a investigação, era fazer o transporte parecer uma carga comercial comum caso as caixas fossem abertas durante alguma fiscalização.

Empresas na mira da polícia

A Operação Testa de Ferro é resultado de uma investigação iniciada em maio de 2025. Na ocasião, a polícia identificou empresas suspeitas de serem utilizadas para receber e movimentar recursos de origem ilícita relacionados ao tráfico de drogas.

Nas últimas semanas, uma das empresas passou a apresentar movimentações consideradas suspeitas pelos investigadores, com entrada de grandes quantias e sucessivos saques em dinheiro.

A Draco intensificou o monitoramento por aproximadamente quatro semanas e reuniu elementos para solicitar à Justiça mandados de busca, apreensão e bloqueio de valores.

Apreensão histórica

De acordo com o delegado Estéfano Santos, a operação resultou na maior apreensão de dinheiro vivo já realizada pela Polícia Civil do Amapá.

Além dos aproximadamente R$ 2 milhões encontrados, foram apreendidos veículos e uma arma de fogo. Duas pessoas foram presas em flagrante por suspeitas relacionadas à lavagem de dinheiro e posse de arma.

A investigação continua para identificar outros possíveis participantes, rastrear a origem e o destino dos recursos e dimensionar toda a estrutura financeira utilizada pelo grupo criminoso.

Polícia descarta, até agora, ligação eleitoral

A apreensão ocorreu em pleno período eleitoral e provocou especulações nas redes sociais sobre uma possível ligação do dinheiro com campanhas políticas.

Até o momento, porém, não há confirmação de vínculo dos valores apreendidos com candidatos ou campanhas eleitorais. Draco e Gaeco esclareceram que a investigação tem como objeto o crime organizado e a lavagem de dinheiro.

O foco da apuração permanece sobre a suspeita de utilização de empresas para movimentar e lavar recursos provenientes de atividades criminosas, especialmente do tráfico de drogas.

Com cerca de R$ 2 milhões em espécie apreendidos e outros R$ 3 milhões bloqueados, a Operação Testa de Ferro representa um dos maiores golpes financeiros recentes contra o crime organizado no Amapá.

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